4.6.09
A SEGUNDA-FEIRA NEGRA DO TIO SAM: OU, O DIA EM QUE O ELEFANTE BRANCO SUBIU NO TELHADO…


O Tio Sam Antes e Depois da Crise. Créditos da Imagem: martamatui.blogspot.com c/c Júnior Lima
Recentemente, assinei um artigo sobre economia que retratava a necessidade de a sociedade contemporânea assumir uma outra postura frente ao modelo convencional de mercado. Naquela ocasião, tratei de uma insinuante peleja que existe entre os ortodoxos defensores da teoria de Adam Smith e a embrionária corrente da “Dinâmica dos Governos” de John Nash. O artigo acabou por incentivar um “racha filosófico” entre este pseudoeconomista e um êmulo seu. Pois bem, disse-me ele, naquela ocasião, que seria mais fácil um elefante branco subir no telhado do que ocorrer qualquer mudança na geografia financeira do mundo. Essa alusão à despolarização da economia e à criação de novos centros de mercado no planeta, na verdade, tem se tornado o assunto mais batido na atual conjuntura da geopolítica moderna.
Pois bem, o que meu êmulo não imaginava (ou ignorava), é que a possibilidade de “o elefante branco subir no telhado” era bem factível. E isso aconteceu…
No último dia 1º (uma Segunda-Feira), a comunidade global se surpreendeu com a notícia de que a montadora GM, depois de pedir concordata, PASMEM, não figuraria mais no índice de ações Dow Jones. Pra quem não está antenado com o economiquês ou nunca conseguiu entender muito bem nem a globalização da economia nem a atual crise financeira, isso pode soar apenas como mais um “pití” que vem de WallStreet. Porém, não é apenas isso…
A concordadata da GM (que por sí so a retira do Dow Jones) significa que 4 % do PIB americano está comprometido, inerte ou pra ser bem claro, “foi pro beleléu“. Ate meados da última década, a General Motors, sozinha, era responsável por 4% da economia dos Estados Unidos, o que representaria, no câmbio atual, cerca de 600 BILHÕES de DOLLARES, ou 1.155.000.000.000.00 (1 trilhão, cento e cinquenta e cinco bilhões de reias), ou seja, maior que o PIB de muitos países.
E a metáfora do elefante branco não serviu apenas pra GM, pois o Citigroup, dono do Citibank, uma das maiores instituições financeiras do Planeta também “subiu no telhado”. O Citibank “ainda” não pediu concordata, mas a reestruturação na qual se acha envolvido foi o suficiente para forçá-lo a deixar o Dow Jones.
Pra muita gente isso significa apenas que MAIS uma empresa quebrou ou está na iminência de quebrar. Pra outras pessoas (como eu), isso significa que o mercado, tal qual os irresponsáveis liberalistas o conceberam, sofreu um estafa financeiro, uma espécie de esgotamento econômico que se inicia no cofre de um grande mercado e vai varrendo, paulatinamente, os quatro cantos do mundo, sufocando-o.
A General Motors foi, durante muitas décadas, o símbolo da pujança e da estabilidade econômica norte-americana. O modelo gestor da GM era a linha de montagem responsável por abarcar tanto os carros sofisticados quanto os típicos furgões da “família americana” , que sintetizavam da forma mais catedrática possível o way life of american, o famoso estilo de vida americano. Não era necessário visitar os tensos corredores de Wall Street para conhecer esta forma de vida que invejava e encantava o mundo todo, bastava visitar a garagem de uma típica família yankee.
Agora que o elefante branco subiu no telhado, o que se questiona nao é apenas o modelo político-econômico do mercado, mas é a própria forma de organização social do mundo que está em questão. Mas ate que ponto o estilo de vida americano, que se tornou um sonho de todo o mundo e materializou a sociedade de consumo tal qual nós a conhecemos poderá subxistir?
Fazer apologia à queda do Império Norte-Americano não seria apenas mais um discurso anarquista de um anarquista de plantão, o que se tem em mente, por aqui, é que o mundo passa por mudanças drásticas na geografia do poder. Enquanto os Yankees se ocupam em abraçar o mundo inteiro com sua ganância imperialista, vigiando cada palmo do projeto nuclear coreano, cada centímetro de chão partilhado entre árabes e judeos e cada gota de petróleo que jorra na OPEP, sobra muito tempo pra que países como o Brasil (que não tem nada a ver com o que se passa no quintal do vizinho) assumirem essa lacuna econômica deixada pela especulação financeira, onde há muita gente confabulando com o dinheiro alheio e pouca gente com cara e coragem pra botar a mão na massa.
RECADINHO DO LULA PRO OBAMA:
- NUNCA NA HISTÓRIA DESSE PAÍS O TIO SAM ESTEVE TÃO JUDIADO…


criado por Júnior Lima
16:18 — Arquivado em:
Comentário por Maristela PUC — 4.6.09 @ 16:54
Eh seu Júnior, sua crítica continua afiada.
Agora, bem que o Tio Sam tá bem acabadinho nessa foto hein…
Comentário por Liene — 4.6.09 @ 16:55
Muito bom junin, essa caricatura do Tio Sam tá ótima!
Comentário por Liene — 4.6.09 @ 16:55
Agora vc deu pra entender de economia?