2.11.09
SEXO, DROGAS E “SAMBA”: A EXEGESE DA VIDA (EM 3 TEMPOS)
Terribilis est locus ist (care…)
Há muito, muito tempo atrás, ouvi de meu Pai que pegar as “coisas” dos outros era errado, que mentir era reprovável e que fazer o bem era necessário.
Ele, “coitado”, repetiu isso inúmeras vezes. Minha mãe fazia-lhe côro. A Professora também e o Padre idem.
Cresci ouvindo esses brocardos, máximas do convÃvio social.
O Tempo passou. As coisas mudaram.
Reclassificaram as pessoas, as doenças e os conceitos em geral.
As pessoas envolvidas com drogas, crimes, violência e degradação moral no Brasil (e no mundo) que o digam:
-Coitado, este é mais uma vÃtima do sistema, um doente, um dependente quÃmico. Pobrezinho, caiu na lábia de algum traficante maldoso!
No final, os mocinhos desabam, os traficantes viram celebridades, ganham as páginas dos jornais, revistas e a tela dos cinemas.
Stop!
Alguma coisa tá errada!
Tudo agora é doença?
Existem doenças e doenças, pessoas e pessoas, “usuários” e “usuários”… É verdade. Nem todo mundo é água da mesma bacia. Cada um tem sua história, seu “fantasma”.
O Homem não procura a Gripe, não procura o câncer, mas os contrai. De fato, existem doenças e doenças. Hoje, tenho a certeza de que a pior delas é a Doença moral. Vivemos uma epidemia dessa praga (a variação pleonástica é proposital). E é por isso que insistimos em tratar a figura do usuário de drogas tão romanticamente.
Hoje, nem tudo parece ser como já foi um dia. Impera a polÃtica da conveniência. Não há mais “o certo” ou “o errado”, há apenas um juÃzo de valor que torna coisas reprováveis em práticas toleráveis. O Certo, o Bom e o Justo, devem agora, passar pelo crivo da conveniência. Só depois, digamos, é possÃvel dizer, por exemplo, se o certo é mesmo certo ou se o Justo é realmente justo.
O Pragmatismo da vida moderna condena qualquer atitude tendente à fixação de valores morais. Os Valores (malditos valores) são uma barreira ao desenvolvimento, à autonomia da vontade e, principalmente, impedem o homem de dedicar-se, despudoradamente, ao prazer como estilo de vida.
“Pra quê pensar em monogamia se podemos ter duas, três ou várias mulheres?”, dizem os homens.
“Pra quê me ocupar em criar filhos seu eu posso sair por aà e ocupar espaço, sem tabus e sem essa limitação idiota (um dia romântica) de “sexo frágil”. Afinal, eu também posso trair, posso “dar à vontade” respondem as mulheres.
“Pois é, que se dane a famÃlia tradicional!”. “Eu quero viver”, unem-se em côro.
A Cultura do hedonismo não assusta muita gente. Parece, em certa medida, até inofensiva. O Fato de ser um fenômeno global torna-a ainda mais “digerÃvel”. Se é possÃvel dar um trago num bagulho em Amsterdã, por exemplo, “livre leve e solto”, e sobre o abrigo da lei num charmoso “coffee-house”, nós devemos, da mesma forma, criar nossos “Cafés-Maconha”. Afinal, essa é a tendência global, e não se deve reprimir aquilo que o homem, “livre e conscientemente” opta em fazer, não fazer, provar, experimentar e sei lá o quê.
Detalhe, não nos preocupemos com os “Cafés-Maconha”: O “Narco-mercado” tratará de se auto-regular. O Liberalismo ainda vive!
Basta que o “pobre usuário” faça tudo por sua própria vontade. Que a “erva” o mate! De qualquer sorte, morrerá de prazer. Nós amamos o prazer: “Abaixo os tabus”!
Mundo paradisÃaco este não?
Meu universo minúsculo não consegue acompanhar este ritmo. Mas a culpa não é do mundo. É minha, é claro. Quem mandou eu ser carêta! Quem mandou eu não jogar lixo no chão! Quem mandou eu ceder meu lugar praquele corôa na fila! Quem mandou eu não participar daquela passeata de “chapados”, os drogados bonzinhos que financiam o tráfico e tiram o sono e o sonho da sua e de nossas famÃlias!.
Mas o tráfico não mata, o tráfico não corrompe, o tráfico não degenera o homem. Esse papel cabe à PolÃcia não é? O Traficante é que é bonzinho. Policiais são sempre chatos, raramente estão “de boa”, chapados ou “ligadaços”…
Aliás, pra que PolÃcia? Quem precisa da PolÃcia?
“Preferimos um Samba”:(batucando na mesa) “tristeeeeeeeeeeza por favor vai emboraaaaaaaaaa”…
Somos “homens livres”. A Lei é um entrave. A PolÃcia é um entrave.
Cumprir as leis é muito chato. Parar no sinal é coisa pra “roda dura”. A multa de trânsito é uma afronta à democracia: “Nós preferimos subornar o guarda!”…
Ele, o guarda, é um sujeito safado. Nós não!!!
Vida que segue, Samba que segue.
Vamos continuar comprando nosso “bagulho”, a PolÃcia que se dane. Vamos continuar subornando o “guardinha”. O Governo que se lasque.
Façamos vista grossa quando nossas crianças chegarem em casa de madrugada, com seus amigos descolados, de tênis novo e roupa que o seu dinheiro não podia comprar. Juventude empreendedora essa.
-”Mas quando o “bicho pegar”, nós vamos mesmo é reclamar da bala perdida, da falta de escola, do polÃtico corrupto, do guarda safado e do vizinho que usou seu suado dinheirinho (limpo e honesto, só um pouco embaçado de pó) pra financiar a morte do José, da Maria, de granfinos e pobretões, do meu, e NÃO SE ESQUEÇA, DO SEU FILHO!”
“ABAIXO OS TABUS!!!”


criado por Júnior Lima
15:38 — Arquivado em:
Comentário por Mariane — 24.2.10 @ 17:57
Sem palavras! Sem comentários! Já está td ai, qlqr coisa que eu comentasse seria dispensavel! Parabéns pelo texto, maravilhoso! Abraços
Júnior Lima Reply:
fevereiro 24th, 2010 at 18:09
Nota do Editor: Obrigado pela participação. Palavras generosas…
Abraços!